terça-feira, 24 de outubro de 2017

ARQUEOLOGIA DO POÇO DE JACÓ

ARQUEOLOGIA DO POÇO DE JACÓ

O poço de Jacó está a 800 metros ao sul de Sicar, na estrada alta de Jerusalém, onde o caminho faz uma curva para entrar no vale situado entre o monte Gerizim e o monte Ebal. Está situado perto da tumba de José, no terreno adquirido por Jacó, e é um dos lugares mais autênticos de todas as terras bíblicas. Os samaritanos, os judeus, os cristãos e os muçulmanos o veneram como o poço que Jacó cavou e a beira do qual Jesus se sentou quando conversou com a mulher samaritana que tinha vindo tirar água. A tradição samaritana remonta-se há mais de 23 séculos, e está refletida no comentário que a mulher samaritana fez a Jesus: “o nosso pai Jacó... nos deu este poço” (Jo 4.12). A tradição cristã data do ano 333 quando o Peregrino de Bordeaux visitou o poço. Aqui foi construída uma igreja cristã no século quarto. Os cruzados encontraram a igreja em ruínas e a reedificaram, mas esta foi destruída durante o século doze, e suas ruínas jazem como um montão de pedras pardas sobre o poço.

Em 1838 Robinson achou a entrada da boca do poço, e ao medi-lo, descobriu que tinha uma profundidade de 32 metros. Em 1881 o doutor C. A. Barclay realizou escavações em redor do poço, descobrindo escombros que tinham caído, ou haviam sido lançados nele, e haviam reduzido sua profundidade para 20 metros. Mais tarde limparam o poço até o fundo (32 metros), mas devido aos muitos turistas que empurravam ou lançavam pedras no poço a fim de escutar quanto tempo à pedra demorava para chegar na água, sua profundidade foi reduzida pouco a pouco até chegar a 23 metros. Por essa época a Igreja Ortodoxa Grega adquiriu o lugar, e depois de muitos anos concluiu a construção de uma igreja sobre o local.

A antiga borda do poço está a muitos metros abaixo do nível atual, e mostram profundas fendas que foram produzidas pelas cordas com as quais puxavam os odres ou as vasilhas de água. O poço mede 2,3 metros de circunferência. Sua parte superior está revestida com obra de alvenaria, mas sua parte inferior foi cavada na pedra calcária. A água é fria e refrescante, já que o poço é profundo, e não é só uma cisterna, mas um manancial, ou seja, alimenta-se tanto de água da superfície como de uma fonte subterrânea.

As memórias evocadas pelo poço nos transportam na história a épocas passadas de cenas pastorais e de costumes patriarcais. Também nos recorda o início do ministério de Jesus, quando nesse poço do lado do caminho ele revelou sua natureza divina a admirada samaritana, e onde pronunciou a profunda verdade que permanecerá através de todos os tempos: “mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Deverás, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna” (Jo 4.14).

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