sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AS CATACUMBAS DE ROMA


A evidência tradicional e literária proveniente de líderes e escritores eclesiásticos desde o ano 95 d.C. até 326, e as muitas pinturas e inscrições em tumbas cristãs que indicam que Pedro e Paulo foram mártires, tem levado muitos arqueólogos e especialistas a concluir que estes dois grandes apóstolos sofreram martírio em Roma durante o reinado de Nero.

De todas as descobertas dentro e nos arredores de Roma, a mais interessante para os cristãos e judeus foi a das catacumbas, que estão junto aos caminhos da periferia da cidade, mas nenhuma delas está a mais de cinco quilômetros distante dos muros da cidade.

A origem das catacumbas representa uma das fases mais singulares e misteriosas da história. Para começar, as catacumbas eram canteiros de extração de areia, utilizados por aqueles que queriam obter areia para construção.

O solo em uma extensão de Roma é composto de pedra calcária formada de cinzas vulcânicas e de areia suficientemente derretida para tornar possível as partículas se unirem entre si. Quando se descobriu que este material era excelente para a construção, cavou-se muitos túneis subterrâneos para obtê-lo.

Logo surgiu entre a nova igreja e o antigo Império Romano. O império Romano era o mais vasto e poderoso na época de Cristo. Geralmente, o Império tolerava todas as religiões, mas a obstinação dos cristãos em não querer jurar lealdade ao imperador trouxe como conseqüência perseguições e mais perseguições.

Os cristãos foram acusados de serem insociáveis e excêntricos, e passaram a ser odiados e considerados inimigos da sociedade. Todavia eles eram modestos e simples no vestir, rigidamente morais em conduta e se negavam assistir os jogos e as festividades. Alguns cristãos inclusive censuravam aqueles que vendiam alimentos para os animais que tinham de ser sacrificados aos deuses pagãos. O povo chegou a temê-los, já que não queriam que a ira dos deuses se acendesse devido ao fato de os cristãos se negarem a render-lhes sacrifícios. Se as colheitas fracassavam, o rio Tibre transbordava ou havia epidemias, o povo gritava: “os cristãos aos leões!”. Porém os cristãos eram bondosos com todos aqueles que tinham problemas, e ficavam cuidando dos enfermos quando havia epidemias, enquanto todos fugiam.

Para provar a lealdade dos homens, o governo romano exigia que todos se apresentassem em certos lugares públicos e ali queimassem um pouco de incenso em honra do imperador. Os cristãos consideravam isto um ato de adoração ao imperador, e se negavam a fazê-lo. As autoridades começaram a observar essa atitude e a castigá-los, inclusive com a morte.

Os cristãos buscaram refúgio nas cavidades secretas dos túneis subterrâneos dos canteiros de areia. Ali ampliaram os túneis e construíram habitações, capelas e sepulturas. As catacumbas imediatamente se converteram no único refúgio seguro para eles.

Ali viviam, adoravam a Deus e eram enterrados. Seus cânticos, suas orações e seus cultos santificavam as catacumbas, que se converteram no berço do cristianismo ocidental.

As catacumbas foram descobertas e começaram a ser escavadas no século 16, e desde 1950 tem sido escavadas mais extensamente. Nosso conhecimento sobre essas cidades subterrâneas é incompleto, devido ao fato de existirem muitas delas e de serem muito extensas. Todavia, tem se acumulado, graças a elas, uma grande quantidade de conhecimentos.

Uns seis milhões de pessoas estão enterradas em 60 catacumbas, 54 de cristãos e 6 de judeus. Cada uma delas tem uma entrada muito bem escondida, da qual parte uma escada que desce até os túneis e as galerias subterrâneas, que ramificando-se em ângulo reto umas com as outras, criam uma rede de túneis e ruas com uma capela em alguns lugares. Algumas têm até quatro níveis, cada um conectado aos demais por uma escada. Em cada um destes níveis há um imenso labirinto de estreitos túneis, tantos, que se todos os túneis de todas as catacumbas fossem emendados em linha reta, eles se estenderiam por uns 940 quilômetros.

Ao longo das paredes destas galerias ou em túneis sem saída, há cristãos enterrados em sepulturas nas paredes (nichos). Cada tumba está fechada com ladrilhos ou com uma lousa de mármore, na qual aparece o nome do sepultado.

Muitas vezes as paredes e os tetos dos cubículos estão adornados com pinturas de personagens ou com cenas bíblicas, tais como Moisés golpeando a rocha, Davi, Daniel, os três jovens hebreus Ananias, Misael e Azarias, Noé e Jonas. Cada caso representa um livramento mediante a intercessão miraculosa de Deus. Em alguns casos vê-se o retrato da pessoa falecida. Em 1853, De Rossi encontrou um cubículo fechado por uma lousa de mármore a qual estavam gravadas estas palavras: “Marco Antonio Rastuto fez este sepulcro para si mesmo e para os seus que confiam no Senhor”.                                    

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